Enveredando pela coxilha
Escrito por José Carlos Arruda de Souza
Um afazer do meu novo ofício, corretor de imóveis, conduziu-me a um destino até então desconhecido: o Raposo. O trajeto até o Guará já era conhecido desde a infância, pois o percorria correndo junto com a piazada companheira das Tias Perpas. Até alguns brotos da velha parreira ainda enfeitam aquelas árvores e, se facilitar, talvez haja uns tajabecos que possam ser fisgados de cima da ponte. Pouco mudou. Dali em diante tudo seria novidade. Deu até saudades dos tempos de Fiscal do Banco do Brasil e proprietário de um sítio no Cerro Alto (Palmeira), pois a paisagem é muito parecida com a que estava acostumado em minhas andanças profissionais.
A qualidade da estrada dos Morrinhos era boa. Por uns vinte e tantos quilômetros. Ao pegar o rumo do Raposo muita pedra solta pela chuvarada começou a maltratar meu carro, obrigando-me a reduzir o ritmo da viagem. O guia, coitado, deve estar com muita dor de ouvido de tanta lorota que ouviu pelo caminho. Viajei na maionese do tempo. Puxei assunto de todo tipo com o rapaz que, de tempos em tempos, resmungava alguma coisa. Peço-lhe perdão pela invasão de prosopopéia que teve que aturar até o destino final, a fazenda de seu pai.
Ao subir um cerro, olhando para o horizonte que surgia à minha esquerda, lá estava ela, a planície intocada, a maior riqueza da superfície de Lages, que só perde em valor para o Aqüífero Guarani, já que sem água ninguém vive. Como num repente, outra saudade. Desta feita da Amazônia e do Pantanal. Não enxerguei uma densa floresta sem fim, serpenteada por grandes rios, nem vegetação rasteira salpicada de salobras lagoas. Conhecidos só de fotografia, os campos intermináveis, a fugir do alcance de meus olhos, alguns pedaços de reflorestamentos e capões de mato, onde ainda é possível enxergar algumas araucárias sobreviventes do massacre feito pelas serrarias da cidade. Só faltou o fantasma a cavalo, de algum dos muitos antepassados meus, surgir numa curva da estrada e passar-me um pito: - Demorou muito para acontecer essa tua visita e você aparecer por aqui, seu piá de bosta!
Na fazenda visitada havia o túmulo de Aninha Athanázia, tão bem retratada por Márcio Camargo Costa em sua obra A Caudilha de Lages. Havia. Num final de semana em que o fazendeiro estava ausente, o local foi invadido por vândalos não identificados ou por procuradores de mina, que destruíram o túmulo e o cemitério, em busca do suposto tesouro escondido da indomável índia guerreira, rainha do Raposo e do Cajurú. Quem sabe o asfalto chegue até lá um dia, e muitas pessoas possam ter a satisfação de ver e sentir o clima e a beleza da Coxilha Rica. Incomparável.
A qualidade da estrada dos Morrinhos era boa. Por uns vinte e tantos quilômetros. Ao pegar o rumo do Raposo muita pedra solta pela chuvarada começou a maltratar meu carro, obrigando-me a reduzir o ritmo da viagem. O guia, coitado, deve estar com muita dor de ouvido de tanta lorota que ouviu pelo caminho. Viajei na maionese do tempo. Puxei assunto de todo tipo com o rapaz que, de tempos em tempos, resmungava alguma coisa. Peço-lhe perdão pela invasão de prosopopéia que teve que aturar até o destino final, a fazenda de seu pai.
Ao subir um cerro, olhando para o horizonte que surgia à minha esquerda, lá estava ela, a planície intocada, a maior riqueza da superfície de Lages, que só perde em valor para o Aqüífero Guarani, já que sem água ninguém vive. Como num repente, outra saudade. Desta feita da Amazônia e do Pantanal. Não enxerguei uma densa floresta sem fim, serpenteada por grandes rios, nem vegetação rasteira salpicada de salobras lagoas. Conhecidos só de fotografia, os campos intermináveis, a fugir do alcance de meus olhos, alguns pedaços de reflorestamentos e capões de mato, onde ainda é possível enxergar algumas araucárias sobreviventes do massacre feito pelas serrarias da cidade. Só faltou o fantasma a cavalo, de algum dos muitos antepassados meus, surgir numa curva da estrada e passar-me um pito: - Demorou muito para acontecer essa tua visita e você aparecer por aqui, seu piá de bosta!
Na fazenda visitada havia o túmulo de Aninha Athanázia, tão bem retratada por Márcio Camargo Costa em sua obra A Caudilha de Lages. Havia. Num final de semana em que o fazendeiro estava ausente, o local foi invadido por vândalos não identificados ou por procuradores de mina, que destruíram o túmulo e o cemitério, em busca do suposto tesouro escondido da indomável índia guerreira, rainha do Raposo e do Cajurú. Quem sabe o asfalto chegue até lá um dia, e muitas pessoas possam ter a satisfação de ver e sentir o clima e a beleza da Coxilha Rica. Incomparável.
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